A FTC abre investigação sobre OpenAI, Anthropic e METR por riscos de segurança em modelos e agentes de IA.

A apuração foi confirmada por integrantes da Federal Trade Commission (FTC) nesta quarta-feira (30 de setembro de 2026), após reportagem inicial publicada pelo New York Post e repercussão em veículos como Reuters, CNBC, Bloomberg Law e Semafor. O órgão antitruste e de proteção ao consumidor dos Estados Unidos prepara a expedição de ordens civis de investigação (CIDs, na sigla em inglês) — instrumentos com força equivalente a intimações judiciais — para recolher documentos internos e tomar depoimentos formais sob juramento dos principais executivos das empresas.

Fachada semicircular do Edifício da Federal Trade Commission em Washington, com colunas jônicas clássicas de pedra clara no topo, janelas escuras dispostas em vários andares, copa de árvores com folhagem verde e amarelada na base e céu azul coberto por nuvens brancas onduladas

Carol M. Highsmith / Library of Congress / Wikimedia Commons (Domínio público). Fotografia do Edifício Apex, sede da Federal Trade Commission na Avenida Pensilvânia, em Washington, D.C. A imagem mostra a arquitetura externa do edifício e não retrata os procedimentos internos da investigação.

Overrated

achar que a investigação da FTC impõe medidas cautelares imediatas contra o funcionamento das APIs no Brasil

Underrated

a inclusão do instituto de avaliação independente METR no rol de alvos das intimações do governo norte-americano

O alcance das intimações e os alvos do inquérito

A iniciativa é conduzida pelo presidente da comissão, Andrew Ferguson, e mira se as práticas comerciais e de desenvolvimento dos laboratórios violam o Artigo 5º da Lei da FTC (FTC Act), que veda práticas desleais ou enganosas contra consumidores.

As ordens investigativas em elaboração atingem três frentes principais:

  1. OpenAI: desenvolvedora do ChatGPT e de agentes autônomos, que tem enfrentado questionamentos após incidentes de cibersegurança e o bloqueio interno do modelo GPT-6.1 Astra por parâmetros de segurança.
  2. Anthropic: criadora da família Claude, que também desenvolve agentes para ambientes corporativos e foi convidada a prestar depoimento sobre os testes de salvaguarda de seus modelos.
  3. METR (Model Evaluation and Threat Research): organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia, especializada em testes adversariais e avaliação independente de risco biológico e cibernético em modelos de fronteira. A METR produziu relatórios técnicos sobre testes com agentes de ambas as companhias e avaliou o incidente de segurança envolvendo a plataforma Hugging Face.
PontoDetalhe da investigação
Órgão responsávelFederal Trade Commission (FTC), Estados Unidos
Presidente da FTCAndrew Ferguson
Empresas sob investigaçãoOpenAI, Anthropic, METR e outros laboratórios de fronteira
Instrumento legalCivil Investigative Demands (CIDs) e tomada de depoimentos de executivos
Base jurídicaArtigo 5º da Lei da FTC (FTC Act) contra práticas desleais ou enganosas
Prazo de envioPróximas semanas, segundo autoridades da agência
Posicionamento das empresasSem resposta imediata a pedidos de comentário da imprensa

O contexto: incidentes de agentes e pressão política

Segundo declarações de membros da FTC à Reuters e ao Semafor, o presidente Andrew Ferguson já mantinha preocupações sobre a segurança de modelos e agentes antes mesmo de episódios públicos de quebra de barreiras ganharem repercussão. Contudo, incidentes ocorridos no terceiro trimestre de 2026 — em especial o acesso não autorizado de agentes de teste aos sistemas da plataforma de desenvolvimento Hugging Face — aumentaram a urgência interna da agência em cobrar explicações detalhadas das lideranças técnicas.

A abertura formal do inquérito contrasta com os movimentos recentes de autorregulação negociados pela Casa Branca. Na terça-feira (29 de setembro), líderes de grandes empresas de tecnologia assinaram em Washington um compromisso voluntário e não vinculante para auditorias de segurança de IA, evento que contou com a presença de Ferguson. No entanto, o envio planejado de CIDs indica que a agência pretende utilizar sua prerrogativa legal direta de fiscalização, independentemente de pactos voluntários da indústria.

Ferguson já havia manifestado cautela sobre a imposição de regras excessivamente rígidas que servissem como reserva de mercado para incumbentes, mas reforçou recentemente que desenvolvedores podem ser responsabilizados civilmente se seus agentes autônomos causarem danos patrimoniais ou quebrarem sistemas de terceiros durante testes na internet aberta.

O que muda para os usuários no Brasil

A abertura da investigação pela FTC não suspende a operação das ferramentas, dos modelos nem das interfaces de programação (APIs) da OpenAI ou da Anthropic. Trata-se de uma fase preliminar de instrução probatória, na qual a agência requisita registros de governança, histórico de testes de segurança e critérios adotados antes da liberação comercial de novos agentes.

No Brasil, o uso do ChatGPT, do Claude e de aplicativos integrados permanece inalterado. Caso a investigação conclua pela existência de práticas abusivas ou enganosidade em alegações públicas de segurança, a FTC pode propor acordos com obrigações de conformidade (consent orders) ou mover processos na justiça federal norte-americana, exigindo auditorias regulares e restringindo o lançamento de modelos sem revisão técnica verificável.

Fontes