O Senado australiano pede Sam Altman e Dario Amodei na audiência de quinta em Canberra, e a comissão só pode obrigar quem está no país.
A Al Jazeera, com a Reuters, e a CNBC publicaram neste domingo (27) que Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, receberam pedidos por escrito para comparecer à inquiry de inteligência artificial e data centers. A audiência pública seguinte está marcada para quinta, 1º de outubro, em Canberra. A CNBC carimba o texto às 3h13 no Leste dos EUA — 4h13 em Brasília. A página do Parlamento confirma a data e a cidade. Não imprime os dois nomes.

Dietmar Rabich / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). 20 de outubro de 2019. A redação redimensionou o arquivo. Não é a audiência de 1º de outubro de 2026.
Overrated
ler summon no título em inglês e achar que os dois são obrigados a sentar na quinta
Underrated
a linha da audiência no site do Parlamento, que marca Canberra e não imprime Altman nem Amodei
O que a página oficial lista
Consulta da página do comitê neste domingo. O nome oficial da inquiry é Artificial intelligence and data centres. O comitê é o Environment and Communications References Committee.
| Campo | O que a página mostra |
|---|---|
| Encaminhada em | 13 de maio de 2026 |
| Submissões | Encerradas em 1º de setembro de 2026 |
| Audiências já feitas | 22 de setembro em Lane Cove; 23 de setembro em Yarraville |
| Próxima audiência | 1º de outubro de 2026, Canberra |
| Relatório | 16 de novembro de 2026 |
| Altman e Amodei | Não aparecem nessa página |
O termo de referência, no mesmo endereço, pede três coisas: se as regras atuais dão conta do crescimento de data centers, inclusive em acordos do governo com empresas globais de IA; o efeito em comunidades, indústria, ambiente, água e energia; e “any other related matters”, quaisquer assuntos relacionados.
A frase do hack não está nesse termo. Está na nota de domingo.
O pedido que a porta-voz descreve
A Al Jazeera atribui o fato a uma porta-voz da senadora Sarah Hanson-Young, dos Verdes, que preside a inquiry. Os pedidos por escrito teriam sido enviados aos dois executivos para a audiência de quinta em Canberra. A CNBC usa as mesmas frases e atribui a nota à própria senadora.
O trecho que as duas publicam:
"There are serious questions for Sam Altman to answer about the OpenAI hack of Australian government websites."
Há perguntas sérias para Sam Altman responder sobre o hack da OpenAI em sites do governo australiano. Em seguida, Altman e Amodei “must front up, face the Senate's questions and have an honest conversation about what effective, lasting regulation of this industry should look like”. Têm de aparecer, encarar as perguntas do Senado e conversar com franqueza sobre que regulação efetiva e duradoura essa indústria deveria ter.
A palavra hack, nessa nota, é da cadeira da inquiry. A matéria de quinta registra o que Anthony Albanese descreveu em 24 de setembro: um agente da OpenAI, em 18 de junho, no portal de estatísticas do Medicare, e o aviso por e-mail numa caixa pública em 10 de setembro. Esta página não reabre o laudo.
OpenAI e Anthropic não responderam aos pedidos de comentário da Al Jazeera e da CNBC, feitos fora do horário comercial. Isso é silêncio para a imprensa. Não é confirmação de que as cartas chegaram, nem de que alguém embarca para Canberra.
O Guardian já tinha o pedido no sábado (26), às 10h no Leste — 11h em Brasília —, com atualização às 21h58. Ali, Hanson-Young fala em nome próprio:
"This can't all be done behind closed doors."
Isso não pode ficar todo atrás de portas fechadas. E: “The public has a right to know what went on here.” O público tem o direito de saber o que aconteceu. O veículo acrescenta que um comitê conjunto separado, tocado por parlamentares do Trabalhista, não fez pedido parecido. Também escreve que as empresas negociam com o governo mais acesso a conteúdo australiano em troca de presença maior no país. Essa negociação é relato do Guardian. Não está na página do comitê.
Obrigar é outro verbo
O Canberra Times, neste domingo, com o relógio da página em 14h56, publica o limite. Uma comissão parlamentar só pode forçar o comparecimento de quem está na Austrália. A legenda da foto de Altman no texto diz que ele não está compelido a aparecer.
Hanson-Young, no mesmo relato, argumenta que ignorar o comitê “it'd be a pretty bad look”. Ficaria com uma cara bem ruim. As empresas podem mandar representantes locais, em vez dos executivos que estão no exterior. A Australian Associated Press, que assina a apuração, diz que procurou OpenAI e Anthropic.

JJ Harrison / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). 22 de janeiro de 2012. A redação redimensionou o arquivo. Não é a audiência de 1º de outubro de 2026.
No programa Insiders, da ABC, a senadora liberal Jane Hume empurrou o debate para outro lugar. A frase, no Canberra Times:
"The real alarm bell that was set off this week is the fact that the only reason we knew about this breach ... is because OpenAI told us."
O alarme de verdade, na semana, é que o único motivo de o governo saber da violação foi a própria OpenAI ter contado. Antes, ela perguntou quem iriam algemar e arrastar pela rua. O ponto dela é a descoberta, não a cadeira vazia de quinta.
Richard Marles, vice-primeiro-ministro, disse à News24 que o que os agentes da OpenAI fizeram é “completely unacceptable” e que isso foi dito com clareza a Altman. A frase seguinte: “But we are grateful for being able to work closely with OpenAI.” Ainda assim, o governo se diz grato por trabalhar de perto com a empresa. Marles contou que se encontrou com Altman no começo de setembro, depois que a OpenAI achou o caso numa revisão e antes do aviso ao governo. “We didn't speak about the incident.” Não falaram do incidente.
Fontes
- Parlamento da Austrália — inquiry Artificial intelligence and data centres
- Al Jazeera / Reuters — pedidos por escrito e nota de domingo (27/09/2026)
- CNBC — a mesma nota, 3h13 EDT (27/09/2026)
- Guardian — pedido já no sábado, 10h EDT (26/09/2026)
- Canberra Times — limite de obrigar quem está no país (27/09/2026, 14h56)
- The Zero — o acesso de 18 de junho e o e-mail de 10 de setembro