Mouse leve muda a sessão de quem joga mira no pulso. Não muda a vida de quem edita texto. Abaixo de uns 70 g, com formato que a sua mão já fecha, é o produto. O número de DPI na caixa, de 16 mil para cima, é decoração.
DPI é a sensibilidade que o sensor anuncia. No jogo você usa uma fatia baixa disso e ajusta no software. Pagar por DPI que você nunca liga é pagar adesivo.
Overrated
DPI de cinco dígitos e RGB na palma
Underrated
peso, formato e um sensor que não acelera sozinho
Peso, formato, sensor
Peso: um mouse de escritório fica na casa dos 90 g a 120 g. “Leve” de jogo, hoje, é o que passa dos 70 g para baixo. A diferença aparece em hora longa de FPS, não nos primeiros dez minutos da loja. Se você joga pouco, um mouse honesto de 80 g com fio bom é suficiente e mais barato.
Formato manda mais que peso. Palma inteira apoiada pede mouse mais alto. Ponta dos dedos pede mouse baixo e curto. Mão pequena sofre em casco de “ergonômico” enorme. Se a loja não deixa segurar, compre onde a troca é simples. Foto de lado não revela se o dedo mínimo arrasta na mesa.
Sensor: a geração que presta, em marca conhecida, não acelera e não treme no movimento lento. Logitech, Razer, Lamzu, Pulsar, Attack Shark, a linha leve da Dell — o nome muda, o critério não. “Sensor PixArt” na ficha é bom sinal. Sensor sem nome, em mouse de R$ 40, é loteria. Para trabalho e jogo casual, loteria às vezes basta. Para mira, não.
Cabo contra sem fio. Cabo não acaba no meio do round e pesa pouco se for flexível. Sem fio de 2,4 GHz com dongle é o padrão de jogo. Bluetooth é para notebook e escritório; a taxa de atualização é menor. 1000 Hz chega. 4000 Hz e 8000 Hz pedem CPU acordado e, na maior parte das pessoas, não mudam o placar. Bateria que dura uma semana de uso real importa mais do que Hz que você não mede.
O que olhar na compra brasileira
Nota, porque mouse barato de marketplace vem com sensor trocado e software que pede senha de administrador à toa. Pés reservas na caixa, ou à venda. Pé gasto arrasta e parece sensor ruim.
Mousepad: superfície irregular come qualquer sensor. Um pad de tecido grande, lavável, vale mais do que o terceiro mouse do ano. Não precisa ser “speed” ou “control” de fórum. Precisa ser plano.
Software: se o ajuste de DPI só existe num aplicativo que não abre no Windows atual, o mouse envelheceu no dia da compra. Prefira o que guarda o perfil no próprio aparelho.
Não compre leve furado, com fresta em todo lado, se você come na mesa. A fresta é como o peso desce. Também é por onde entra farelo. Modelo fechado um pouco mais pesado ganha nessa casa.
Veredito
Segure. Se a mão fecha sem esforço e o peso fica abaixo dos 70 g, o leve cumpre. Se você não joga mira, compre conforto e fio, e pare de ler DPI. Sensor de marca, dongle se for sem fio, nota, pés que existem para repor.
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The Zero.
