A Casa Branca abre o America.gov. Dá para perguntar agora; passaporte e Medicare no site ficam para mais tarde neste ano.

O fact sheet está datado de 29 de setembro de 2026. A página diz que Donald J. Trump lançou o America.gov hoje e assinou uma ordem executiva para as agências federais integrarem o site. No mesmo texto, agora a pessoa faz qualquer pergunta e recebe uma resposta atualizada. Mais tarde neste ano, a nota marca renovação de passaporte e inscrição no Medicare no próprio America.gov, sem devolver o usuário ao labirinto de sites. A ordem, também de 29 de setembro, está publicada na lista de atos presidenciais. Ela manda criar a porta de entrada. Não lista passaporte nem Medicare.

Fachada de pedra clara com seis colunas altas e um frontão triangular com figuras esculpidas. Na faixa acima das colunas está gravada a palavra AUDITORIUM. Uma bandeira dos Estados Unidos no mastro do telhado, árvores sem folhas, um parapeito baixo de pedra e a rua na frente, com alas do prédio dos dois lados, sob céu azul com nuvens brancas

AgnosticPreachersKid / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Andrew W. Mellon Auditorium, em Washington, fotografado em 22 de janeiro de 2009. A CNBC situa a apresentação neste auditório. A foto é da fachada. O evento de hoje e o site ficam de fora do quadro.

Overrated

ler Super Intelligence e achar que o passaporte já sai pelo chat

Underrated

o decreto tira o IRS, o Departamento de Guerra e a comunidade de inteligência, e dá 90 dias para o memorando do OMB

O que a nota marca para agora

O fact sheet chama o America.gov de ponto único, seguro e inteligente, em que a pessoa entra, fala em linguagem comum, recebe resposta precisa e, onde houver autorização e meio técnico, conclui a transação sem passar pelo site de várias agências. A frase sobre o que já funciona é esta: agora dá para perguntar qualquer coisa e obter uma resposta atualizada. Passaporte e Medicare entram na frase seguinte, com o prazo “later this year”.

A mesma página escreve que o site usa tecnologia moderna e “Super Intelligence (SI)”, e que isso preserva a privacidade. Também escreve que os americanos gastam cerca de 10 bilhões de horas por ano com papelada federal. Esse número está na nota. A ordem, aberta ao lado, não o repete.

Medicare, aqui, é o programa de saúde dos Estados Unidos. É outro sistema em relação ao portal australiano da matéria do agente da OpenAI.

O que a ordem manda

O texto começa com a fórmula de praxe e a data de 29 de setembro de 2026. A assinatura, no fim, é de Donald J. Trump. O propósito é criar o America.gov como porta digital unificada para quem, nos Estados Unidos, busca informação ou serviço federal. A ordem diz que o site não será apenas mais uma página, um buscador ou uma lista de links. A pessoa poderá entrar, falar em linguagem comum, receber resposta precisa e, onde autorizado e tecnicamente disponível, concluir a transação sem navegar pelos sites de várias agências.

“Covered services”, na seção 3, são serviços federais voltados ao público que atendem mais de 100.000 usuários num período de 12 meses e que podem ser acessados ou pedidos online. A definição exclui o preenchimento de impostos do Internal Revenue Service e os serviços do Departamento de Guerra e dos elementos da comunidade de inteligência. O diretor do Office of Management and Budget pode, por memorando, incluir ou tirar serviços dessa lista.

A nota usa um recorte mais estreito para a segunda exclusão. Nela, ficam de fora os serviços sensíveis de segurança nacional do Departamento de Guerra e da comunidade de inteligência. Na ordem, a exclusão é o conjunto dos serviços desses órgãos, sem o adjetivo.

A seção 4 manda o administrador da General Services Administration, em coordenação com o administrador do National Design Studio e o diretor do OMB, estabelecer e operar o America.gov como ponto único de entrada online. O mesmo trecho manda integrar o Login.gov e usá-lo como autenticação do site.

O prazo operacional está na seção 5. Em 90 dias a contar da data da ordem, o diretor do OMB emite um memorando às chefias das agências. As agências identificam os covered services, integram o que já existir de API pública, painel e formulário digital, completam a integração com o Login.gov e entregam dados históricos e atuais de uso. A ordem cita, para o Login.gov, a seção 1523(b)(1)(D) do título 6 do Código dos Estados Unidos e o memorando M-26-18 do OMB.

A política da ordem pede que a “super intelligence” usada no America.gov seja precisa, confiável e transparente. Também manda preservar a custódia de cada agência sobre os próprios registros e diz que unificar o acesso não cria um sistema federal centralizado de registros sobre as pessoas. Os meios que já existem continuam: presencial, telefone, correio e o site de cada agência. O America.gov entra como opção a mais. O custo de publicação da ordem fica com a GSA.

Gemini no blog do Google, Grok na fala à CNBC

Nem a ordem nem o fact sheet nomeiam empresa ou modelo. O post do Google, de 29 de setembro de 2026, é assinado por Jim Kelly, vice-presidente de Federal no Google Public Sector. O título da página diz que o Gemini sustenta o portal. O parágrafo diz que a Casa Branca anunciou o America.gov e que o Google é parceiro de tecnologia, “leveraging Gemini” para ajudar mais de 100 milhões de pessoas a acessar recursos públicos.

A frase do post:

"Google is proud to be named a technology partner in this vital initiative, leveraging Gemini to help more than 100 million people access critical public resources with greater speed and ease."

Na tradução: o Google se diz orgulhoso de ser nomeado parceiro de tecnologia nesta iniciativa, usando o Gemini para ajudar mais de 100 milhões de pessoas a acessar recursos públicos com mais rapidez e facilidade.

A CNBC carimba a matéria em 29 de setembro de 2026, 10:32 da manhã no horário de verão do Leste. Joe Gebbia, cofundador do Airbnb e chief design officer do National Design Studio, falou ao Squawk Box pouco antes de o site ir ao ar, por volta das 10h nesse fuso. Em setembro o Leste dos EUA está em UTC−4 e Brasília em UTC−3. São 11h em Brasília.

Gebbia, na CNBC, põe dois modelos no sistema: o Gemini, do Google, e o Grok, de Elon Musk. A página registra que um porta-voz do Google apontou o blog da manhã, o mesmo post acima. A xAI, que a CNBC descreve como comprada pela SpaceX e renomeada SpaceXAI, não respondeu ao pedido de comentário. A mesma matéria escreve que Gebbia integra o conselho da Tesla, empresa liderada por Musk, e que a Tesla tem uma parte da SpaceXAI e usa o Grok nos carros.

O número de público, na fala à CNBC:

"Every day, 40 million people interact with a government website trying to get something done. And I think we could all agree that we wish it was better."

Na tradução: todo dia, 40 milhões de pessoas interagem com um site do governo tentando resolver alguma coisa. E acho que todos concordamos que gostaríamos que fosse melhor.

A CNBC escreve que a ferramenta percorre cerca de 29.000 sites do governo. A fala de Gebbia, no mesmo texto, fala em dezenas de milhares:

"You come to America.gov and you ask for what you need, and in a chat interface, we go off on the back end and scan across all those tens of thousands of websites to pull in any information that is specific to whatever your request is, and give you a personalized response that's only from official sources."

Na tradução: você chega ao America.gov, pede o que precisa e, numa interface de chat, o sistema varre no bastidor dezenas de milhares de sites para puxar a informação específica do pedido e devolver uma resposta personalizada, só de fontes oficiais.

A frase seguinte, ainda de Gebbia:

"So there's no chance of getting outdated or inaccurate information like you might on third-party websites."

Na tradução: então não há chance de receber informação desatualizada ou imprecisa, como pode acontecer em sites de terceiros.

A ordem, no mesmo dia, trata precisão como política a cumprir, não como garantia já medida. A nota da Casa Branca chama o arranjo de Super Intelligence. O blog do Google nomeia o Gemini. A CNBC registra o Grok na boca de Gebbia. São três descrições.

A CNBC também traz uma fala de Trump no evento:

"It's not just simply a website. It's a restoration of America's founding promise, and it's a reinvention of your government for the 21st century and beyond."

Na tradução: não é só um site. É uma restauração da promessa fundadora da América e uma reinvenção do governo para o século 21 e além. A CNBC situa a apresentação no Andrew W. Mellon Auditorium, em Washington, com Trump, o vice-presidente JD Vance e outras autoridades.

Um pedido a america.gov, nesta terça, por volta das 16h19 em Brasília, devolveu a página de desafio da Cloudflare com o título “Just a moment...”. O texto da homepage não entrou nesta matéria. O que está acima é o que a nota, a ordem, o blog do Google e a CNBC publicaram.